domingo, março 30, 2014

Um tributo ao amor ao próximo



Esse discurso da Ellen Page é um tributo ao amor ao próximo.

Se todos nós conseguíssemos ver o mundo com os olhos da Ellen, e com a sabedoria, respeito e maturidade que ela demonstra, o mundo em que vivemos seria menos bruto e intolerante. Seria, então, um mundo muito melhor.



"Olá! Uau, obrigado.



Obrigado Chad, pelas palavras gentis e pelo ainda mais gentil trabalho que você e a Human Rights Campaign Foundation faz todos os dias - especialmente a favor das lésbicas, dos gays, dos bissexuais e transgêneros jovens aqui e pela América.


É uma honra estar aqui na conferência inaugural Time To Thrive (Tempo para Crescer). Mas é um pouco estranho, também. Aqui estou eu, nesta sala devido a uma organização cujo trabalho eu admiro profundamente. E estou cerada por pessoas que fazem da sua vida o trabalho de melhorar as vidas dos outros - profundamente. Alguns de vocês ensinam jovens - jovens como eu. Alguns de vocês ajudam os jovens a se curar e achar a sua voz. Alguns de vocês escutam. Alguns de vocês tomam a frente. Alguns de vocês são jovens, também...nesse caso, é ainda mais estranho alguém como eu falar sobre vocês.


É estranho porque eu, uma atriz, represento - em algum sentido - uma indústria em que pessoas atiram padrões em cima de todos nós. Não apenas jovens, mas todos. Padrões de beleza. De bem estar. De sucesso. Padrões que, eu admito, me afetaram. Você tem ideias plantadas na sua cabeça, pensamentos que nunca teve antes, que dizem como você deve agir, como você deve vestir e quem você deve ser. Eu tentei ir contra a corrente, ser autêntica, seguir meu coração. Isso pode ser difícil.


Mas é por isso que estou aqui. Nesta sala, todos vocês, todos nós, podemos fazer muito mais que uma pessoa sozinha. Eu espero que o pensamento inspire vocês tanto quanto faz comigo. Espero que as reuniões que vocês farão nos próximos dias lhes dêem força. Porque eu posso apenas imaginar que existem dias - quando vocês trabalha mais do que seus chefes sabem, ou se importam - apenas para ajudar um jovem que vocês sabem que pode ter sucesso. Dias onde você se sente completamente sozinha. Sem chão. Ou sem esperança.

Estou cansada de me esconder e de mentir por omissão. Eu sofri por anos porque tive medo de me revelar. Meu espírito sofreu, minha saúde mental sofreu e meus relacionamentos também


Eu sei que tem pessoas nessa sala que vão à escola todo dia e são tratadas como merda por nenhuma razão. Ou você vai para casa e se sente como se não pudesse dizer aos seus pais a verdade sobre si mesmo. Além de colocar você em uma caixa ou outra, você se preocupa com o futuro. Sobre a faculdade, o trabalho, ou mesmo sua segurança física. Tentar criar aquela figura mental da sua vida - sobre o que diabos está acontecendo com você - pode arrebentar você um pouco mais todo dia. É tóxico, é doloroso, é absolutamente injusto.


Às vezes são as pequenas, insignificantes coisas que te derrubam. Eu tento não ler fofocas, como regra, mas outro dia um site fez um artigo com uma foto minha usando calça de abrigo, a caminho da academia. O redator escreveu: "Porque essa menininha tão bonitinha insiste em se vestir como um homenzarrão"?


Porque eu quero ficar confortável.


Existem estereótipos perversos sobre masculinidade e feminilidade que definem como nós devemos todos agir, vestir e falar. Eles não servem a ninguém. Qualquer um que desafie essas 'normas' é alvo de comentários e deboches. A comunidade LGBT sabe muito bem disso.


Mesmo assim, há coragem diante de todos nós. O herói do futebol, Michael Sam. A atriz, Laverne Cox. As musicistas Tegan e Sara Quinn. A família que apoia sua filha, ou seu filho, que saiu do armário. E há coragem nesta sala. Todos vocês.


Eu me inspirei para estar nesta sala porque cada um de vocês está aqui pela mesma razão. Vocês estão aqui porque vocês adotaram, como uma motivação real, o simples fato de que este mundo poderá ser bem melhor se apenas fizermos o esforço de ser menos horríveis uns para os outros. Se tirarmos apenas 5 minutos para reconhecer a beleza de cada um, ao invés de atacar uns aos outros pelas nossas diferenças. Não é difícil. É uma maneira fácil e melhor de viver. Em última análise, isso salva vidas.


De novo, não é fácil, de nenhuma maneira. Pode ser a coisa mais difícil, porque amar outras pessoas começa em amar a nós mesmos e aceitar a nós mesmos. Eu sei que muitos de vocês sofrem com isso. Eu acredito na sua força e no seu apoio, de maneiras que vocês nunca saberão.


Eu estou aqui porque sou gay. E porque...talvez eu possa fazer diferença. Para ajudar os outros a ter uma vida mais fácil, mais esperançosa. Sem falar que, para mim, eu sinto uma obrigação pessoal e uma responsabilidade social.


Eu também faço isso de forma egoísta, porque estou cansada de me esconder e de mentir por omissão. Eu sofri por anos porque tive medo de me revelar. Meu espírito sofreu, minha saúde mental sofreu e meus relacionamentos também. Estou aqui hoje, com todos vocês, no outro lado de toda essa dor. Eu sou jovem, sim, mas o que aprendi é que amor, a beleza dele, a alegria dele, e até mesmo a dor dele, é o mais incrível presente para dar e receber de um ser humano. E nós merecemos experimentar o amor inteiramente, igualmente, sem vergonha nem compromisso.


Muitos jovens lá fora estão sofrendo bullying, rejeição, ou apenas sendo maltratados por causa do que eles são. Muitos saindo da escola. Muito abuso. Muitos saindo de casa. Muitos suicídios. Vocês podem mudar isso e estão mudando isso.


Mas vocês nunca precisaram de mim para dizer isso. Por isso é um pouco estranho. A única coisa que eu realmente posso dizer é o que eu estou construindo para os últimos cinco minutos. Obrigado. Obrigado por me insporar. Obrigado por me dar esperança, e por favor, continuem mudando o mundo para pessoas como eu. 
Feliz Dia dos Namorados, amo vocês."

Campanha online “Eu não mereço ser estuprada"


    Mulheres de todo o Brasil estão protestando pelo Facebook após o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) que apontou que a maioria dos brasileiros acha que “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Segundo a pesquisa, 65,1% das pessoas – incluindo homens e mulheres – concordaram com essa informação. Já 58,5% concordam com a afirmação “Se mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

    A reação diante da pesquisa foi imediata e uma campanha online chamada “Eu não mereço ser estuprada” foi ganhando força na rede social. Utilizando a hashtag #EuNãoMereçoSerEstuprada, as internautas postaram fotos seminuas dizendo que as vestimentas não são motivo para nenhum crime sexual. Até as 11h30 deste sábado, a comunidade Eu não Mereço Ser estuprada tinha 514 participantes na rede social. Outras duas com temática semelhante somavam mais 500 membros.


    A jornalista Nana Queiroz, organizadora da página de protesto no Facebook, disse que sofreu ameaças.

    Organizadora da página de protesto no Facebook, a jornalista Nana Queiroz disse em sua página pessoa da rede social que sofreu ameaças de homens e que mulheres desejaram que ela fosse estuprada. "Amanheci de uma noite conturbada. Acreditei na pesquisa do Ipea e experimentei na pele sua fúria", afirmou em um post.

    Em entrevista ao Terra, Nana contou que neste sábado irá levar as ameaças, que já contabilizam milhares de posts, de acordo com ela, a uma delegacia na Asa Sul, em Brasília. "Queremos levar ao Ministério Público esses registros para que os agressores sejam punidos e sirvam de exemplo", defendeu.

    O que mais chocou a jornalista foram as mensagens de incitação à violência e ao estupro."Me acusaram de ser contra Deus e a sociedade, além de postarem fotos minhas em sites pornográficos", detalhou. Como próximo passo, a campanha prevê o pedido de um canal nacional específico para denúncias de assédio sexual contra mulheres.

    Pelo Twitter, até a presidente Dilma Rousseff se manifestou sobre o resultado da pesquisa. Ela defendeu nesta sexta-feira "tolerância zero" à prática deste tipo da violência contra a mulher. "Pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher. Mostra também que governo e sociedade devem trabalhar juntos para atacar a violência contra a mulher, dentro e fora dos lares", escreveu Dilma.

    Machismo impregnado
    A revelação de que a maioria dos brasileiros concorda que o comportamento da mulher pode motivar o estupro comprova que a cultura machista está impregnada nos homens e nas mulheres da sociedade brasileira, segundo a socióloga e integrante do Colegiado de Gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Nina Madsen.

    "Nossa sociedade é violenta contra as populações marginalizadas e as mulheres compõem essa população. A culpa da violência sexual nunca é das mulheres. Temos que educar os meninos a não estuprar. Hoje eles aprendem que uma menina que se veste de uma determinada forma está provocando e que eles têm uma pretensa autorização para fazer uso daquele corpo que está sendo exposto. Temos que interferir nesse processo", disse Nina.

    Para a socióloga, os parâmetros educacionais e culturais precisam ser modificados. "É preciso atuar com muita força e continuidade na mudança cultural e a educação formal tem que incorporar os conteúdos que dizem respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero", acrescentou.

    Nina ressalta que o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que está tramitando no Congresso, prevê uma educação voltada para a promoção da igualdade de gênero. No entanto, diz a socióloga, esse princípio está sendo questionado por grupos conservadores, sobretudo pela bancada evangélica, que querem retirá-lo do texto.

    "Os grupos conservadores estão numa campanha ferrenha para que isso seja eliminado do texto do plano. Eles estão combatendo o que chamam de uma ideologia de gênero. Isso é um retrocesso gravíssimo. Se o governo permitir que isso aconteça estará sendo conivente com essa cultura do estupro revelada nesses dados que o Ipea apresentou", disse Nina.

     Fonte: Portal Terra

sábado, março 15, 2014

"Não sou gênio, sou esforçado."


"Não sou gênio, sou esforçado."
(Pedro Camata Verdini, 1º lugar geral da Ufes aos 16 anos.)

Esforçado. Taí uma palavra que eu tinha esquecido em português. O problema de se morar do outro lado do mundo, onde não se pratica o idioma nativo diariamente, é exatamente esse: esquecer umas palavras no caminho.

Esforçado. Uma palavra tão bonita. Que agora volta ao meu vocabulário graças ao Pedro. 


E ele podia ter dito tanta coisa. Podia ter atribuído sua conquista à sorte, à esperteza, ao destino ou até mesmo a deus. Mas não, disse que era esforçado. E isso também é bonito de muitas maneiras. Reflete não só a inteligência, mas o caráter do menino.

Ele reconhece que chegar ao 1º lugar foi o resultado de um esforço, de uma ação contínua rumo a um objetivo – que pelo o que ele disse, nem era o primeiro lugar. Era passar mesmo. 

Sentou a bunda na cadeira todos os dias desde as 5 horas da matina e estudou. Estudou, estudou, estudou e aprendeu. Esforçado mesmo.

Em terra de malandro, esforçado é rei. 

Nicole Rodrigues

sábado, dezembro 07, 2013

Liberdade


"Ser livre não é apenas libertar alguém das correntes. Mas viver de um jeito que respeite e aumente a liberdade dos outros."

Nelson Mandela

domingo, novembro 03, 2013

Erro crasso


Só dá a Marisa no meu feed de notícias de ontem e hoje.

Não sei quem, nem como, nem quando, mas esta camiseta aí em cima foi parar no site das lojas Marisa, na seção infanto-juvenil masculina. Alguém viu e reclamou. Com toda razão. Porque o que era para ser rappers (cantores de rap) virou rapers (estupradores). A culpa, muito provavelmente, começa lá longe, em quem digitou a frase sem revisar, depois em quem comprou os direitos de usar a frase em camisetas sem revisá-la, passa por quem fabricou a camiseta sem checar a ortografia da frase, daí se estende até a equipe da Marisa que comprou a camiseta sem saber o que diabos a frase em inglês dizia.

A mercadoria chegou em território nacional e foi colocada à venda nas lojas e online pela equipe da Marisa. Além disso, alguém tirou e editou fotos das camisetas para colocar na galeria de produtos do site, e não notou o erro. E a pessoa responsável pelo site, depois de colocar a foto no ar, também não notou.

O engraçado é que, de uns tempos para cá, muita gente no Brasil diz que, agora, o país inteiro fala inglês. Tem até quem chegue a duvidar da importância de um tradutor em um país bilíngue, porque, segundo eles, se todos falam dois idiomas, ninguém mais precisará de tradutor (até parece!). E o curioso é que ninguém que trabalha na Marisa parece se encaixar neste perfil de bilíngue. Já que foi preciso alguém de fora, um cliente potencial, acessar o site, notar o erro e denunciar.

Isso que dá não contratar revisor. Acho é pouco. Tomara que dê muito prejuízo! Só assim para aprender. Não só pelo erro de ortografia em si, mas pela vulgaridade e falta de bom senso absurda que teve origem neste erro de ortografia.

E o pior de tudo sabe o que é? É saber que numa época tão sexualizada e dessensibilizada como a que vivemos, é bem provável que alguém tenha lido a frase: “Otimos estupradores hoje à noite”, pensado que a mensagem era aquela mesmo e achado normal. É de partir o coração.

Nicole Rodrigues

Trinta maneiras de ensinar a crianças noções de consentimento (parte II)

 
Crianças de 5 a 12 anos

"1. Ensine às crianças que o jeito que seus corpos estão mudando é ótimo, mas às vezes pode ser confuso. O jeito que você fala sobre essas mudanças - tanto a perda de dentes como pelos pubianos - vai mostrar sua boa vontade para falar sobre outros assuntos sensíveis.

2. Encoraje-os a falar sobre o que os faz sentir bem e o que os faz sentir mal. Você gosta de sentir cócegas? Você gosta de se sentir tonto? O que mais? O que te faz sentir mal? Estar doente, talvez? Ou quando outras crianças te machucam? Deixe espaço para seu filho falar sobre qualqer coisa que vier à cabeça.

3. Lembre seu filho que tudo pelo que ele está passando é natural, crescer acontece com todos nós.

4. Ensine seus filhos a usar "palavras seguras" durante a brincadeira e os ajude a negociar o uso de tais palavras com os amigos. Nessa idade, dizer "não" pode ser parte da brincadeira, então eles precisam ter uma palavra que fará parar toda a atividade. Talvez uma bobinha, como "manteiga de amendoim" ou uma séria, como "eu tô falando sério!". O que funcionar para todos eles está bom.

5. Ensine as crianças a parar sua brincadeira vez ou outra para checar os amiguinhos. Ensine-os a fazer uma pausa às vezes, para ter certeza de que todo mundo está se sentindo bem.

6. Encoraje as crianças a observar a expressão facial alheia durante a brincadeira, para ter certeza de que todos estão felizes.

7. Ajude a criança a interpretar o que ele vê no playground e com amigos. Pergunte-o o que ele pode ou poderia fazer de diferente para ajudá-los. 

8. Não encha o saco das crianças pelos seus namoradinhos ou por ter paixonites. Tudo aquilo que eles sentirem é ok. Se a amizade deles com alguém parece ser uma paixonite, não mencione isso. Você pode fazer perguntas diretas, como "Como vai sua amizade com a Sarah?" e esteja preparada para falar - ou não - sobre isso. 

9. Ensine às crianças que seus comportamentos afetam os outros. Peça a eles para observarem como as pessoas respondem quando outra pessoa faz barulho ou bagunça e pergunte a eles qual eles acham que será o resultado disso. Alguma outra pessoa vai ter que limpar a sujeira? Alguém vai ficar assustado? Explique às crianças como as escolhas que eles fazem pode afetar os outros e fale sobre quando é hora de fazer barulho e quais são os espaços para se bagunçar. 

10. Ensine às crianças a procurar oportunidades para ajudar. Eles podem levar o lixo? Eles podem ficar quietos para não interromper a leitura de alguém no ônibus? Eles podem oferecer ajuda para carregar algo ou segurar a porta para alguém passar? Tudo isso ensina as crianças que eles têm um papel em ajudar a aliviar as cargas tanto literais quanto metafóricas."
Fonte: Ácido, ergo sum

Não está acontecendo aqui, mas está acontecendo agora









A organização de direitos humanos Anistia Internacional criou uma campanha que visa chamar a nossa atenção para problemas globais e atuais como a tortura, o abuso de direitos humanos, o tráfico de pessoas, a prisão injustificada e o trabalho escravo.
Ainda pouco vi, pela primeira vez, uma das fotos da campanha que diz: “Não está acontecendo aqui, mas está acontecendo agora” e senti como se tivesse levado um soco no estômago. As razões são muitas, mas a principal, sem dúvida, foi o fato de que, minutos antes, eu havia lido nos principais jornais do Brasil sobre o show do Justin Bieber em São Paulo.

O atraso de mais de uma hora, o playback, a falta de interação com o público, a saída do palco (depois de uma garrafa de plástico ter atingido sua mão) sem despedida e sem volta, as fãs obstinadas que acamparam 3 meses para garantir um bom lugar na multidão, as fãs abastadas que pagaram 2.800 reais por um pacote meet and greet que permitiu que elas vissem o cantor apático e indiferente e tirassem uma foto com ele em “3 segundos” – palavras delas, não minhas.

“3 segundos…” eu pensei. 2.800 reais (4 salários mínimos) por 3 segundos ao lado de um meninote que nem se preocupa em ser simpático com as fãs, nem em tocar ao vivo, nem em retribuir, de alguma forma, por menos que seja, o amor em forma de histeria que  recebe onde quer que vá.

Ah, mas vai ver a fã decepcionada exagerou. Não foram 3 segundos, foram 30 segundos, ou 3 minutos… Ainda que fosse: não é pouco tempo para justificar tanta grana? E não é muita grana pro cara ainda se achar no direito de não ser simpático? Não só com quem pagou 4 salários mínimos pelos 3 segundos do tempo dele, mas com quem pagou metade de um salário mínimo para ir ao show dele, e com quem acampou 3 meses para tentar ficar mais próximo do palco dele. E o pior de tudo é que ele sabia que essa meninada toda tava lá, se revezando, comendo marmita, usando banheiros químicos nojentos por 90 dias. Tanto sabia que tweetou sobre o assunto antes mesmo de vir ao Brasil.

Daí eu fico pensando: quando foi que ele parou de se importar? Foi depois do primeiro milhão de dólares? Depois dos primeiros 10 milhões? 100 milhões? Depois que não dava mais nem para contar quanta grana foi parar na conta dele, antes mesmo dele atingir a maioridade?


Quando foi que elas, as fãs, pararam de se importar? Porque pagar 280 reais (que pelo que vi é o mínimo que custa um ingresso para o show dele) para depois sair jogando garrafa no “cantor”, não faz sentido algum. Será que foi só uma que acordou do sonho e quis se vingar? Será que a febre vai continuar?

E quando foi que nós paramos de nos importar? Não com ele, mas com o resto do mundo. Quando foi que acampamos por 3 meses em algum lugar por uma causa que ajudasse ao menos uma das milhões de pessoas que seriam salvas por esses mesmos 2.800 reais? Quando foi a última vez que usamos 3 segundos do nosso tempo para ajudar alguém? Quando foi que o amor ao Bieber passou a valer mais do que o amor ao próximo?

Nicole Rodrigues


Fonte das imagens: Where good grows

sábado, outubro 19, 2013

Mundo livro


Um blog interessantíssimo para quem gosta de literatura: Mundo livro.

Marcha pela humanização do parto - 19 de outubro de 2013


 
Quem acompanha o meu outro blog, o Útero Vazio, sabe que ele trata da decisão de uma vida sem filhos. Ou melhor, ele explora e estimula desde o processo de decisão em si, até a vida após a decisão sobre a maternidade. Aqui, o que importa é que a decisão de todas as mulheres, seja ela qual for, seja respeitada pela sociedade na qual ela está inserida e da qual faz parte, para que cada uma de nós possa viver em paz com o caminho escolhido. Isso inclui o círculo mais próximo, que é o da família; o próximo ciclo que é o de amigos e colegas de profissão, até chegar ao ciclo de conhecidos e desconhecidos, mas que se acham no direito de julgar decisões que não lhes dizem respeito.
 
E é por isso que faço questão de compartilhar postagens sobre a violência obstétrica. Porque nós, que estamos em processo de decisão ou que já decidimos não ter filhos, não podemos exigir respeito de quem escolhe o caminho inverso, se não ajudarmos as atuais e futuras mamães a desfrutarem do mesmo respeito que almejamos.
 
Hoje visitei o blog Cientista que virou mãe, da Lígia Moreiras Sena, e encontrei um post informativo sobre a violência obstétrica a qual tantas mulheres são submetidas diariamente em todo o mundo e sobre uma marcha pela humanização do parto que acontecerá hoje em várias cidades do Brasil. 
 
Sei que está um pouco em cima da hora, mas se você não tiver planos para hoje, quem sabe não dá tempo de sair às ruas e apoiar esta causa, ficando lado a lado com mulheres guerreiras que, mães ou não, são nossas irmãs de alma. Pois é apoiando e cuidando umas das outras que chegaremos longe e garantiremos uma existência mais humana a todas nós.
 
Para ver em quais cidades acontecerá a marcha: clique aqui. Já são mais de 30! Aposto que a sua está na lista.
 
Nicole Rodrigues
 
 

terça-feira, outubro 08, 2013

Golden retriever perde os olhos e precisa da sua ajuda




Essa notícia me partiu o coração. Juro que, se eu morasse no Estado de São Paulo, eu levaria o Jatobá para a minha casa. Espero sinceramente que alguém possa ajudá-lo. Fica o pedido de ajuda e a esperança.
"Jatobá vivia solto, sujo, revirando lixo pelas ruas de Cotia (SP). O ex-dono nunca se importou com a segurança dele. Um dia, o cãozinho se distraiu e, em uma fração de segundos, perdeu a noção de tudo. Havia sido atropelado. Foi arremessado em um monte de lixo, e, com a pancada, os olhinhos saltaram para fora. Jatobá ficou cego. A dor era imensa, e ele ficou lá uivando até o socorrerem.

As pessoas ficaram horrorizadas, exceto quem o atropelou, que fugiu covardemente.
Ele foi parar na clínica Gato Mia, da Dr Renata, teve convulsões, parada cardíaca e quase morreu. Operou e retirou os olhinhos. Dra. Renata não desistiu dele.
Também teve assistência da médica Kelly, do Canil Virtuous, que o hospedou e ajudou a passar pelos primeiros dias de cegueira.

Jatobá vai ter alta e não tem para onde ir. Seria muito injusto mandar um cão sobrevivente e sensível desses para um abrigo. Mais um para sofrer a solidão de não ter um lar.

Ele é assustadinho, dá trabalho por não saber ainda como ser cego e precisa de uma casa muito amorosa, além de um humano prá lá de especial. A pessoa vai sim ter que ser o guia deste menino, até ele aprender a se virar.

Jatobá tem dois anos, porte médio e pelos longos. Lindo e doce como todo golden consegue ser. Contatos para quem estiver disposto (MESMO) a cuidar 24 horas dessa lindeza: Iracema Nogueira Lima – pelo Facebook ou pelo telefone (11) 99983-2180 / e Bárbara – Clínica Gato Mia – (11) 4614-7882 - das 9 às 17h30."

Fonte: Portal de notícias R7.

domingo, setembro 15, 2013

A beleza impossível

"Numa obra vigorosa e crítica, Rachel condena o ataque diário da mídia e aponta caminhos para quem deseja se defender dessa influência insidiosa. A palestra será realizada no auditório, que tem capacidade para 60 pessoas.

Na obra, a autora trata, ainda, da possibilidade real de o excesso de vaidade se tornar um problema de saúde pública, dada a interferência da mídia, da publicidade e dos interesses do mercado na formação das crianças e adolescentes. “O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa auto-estima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. Os mais complexos podem ser a bulimia e a anorexia”, afirma Rachel, lembrando que mesmo as mulheres adultas podem ter sua estabilidade emocional afetada.

As brasileiras, segundo pesquisa internacional feita por uma multinacional da área de cosméticos, estão entre as que têm a auto-estima mais baixa – muito provavelmente em conseqüência do modelo de beleza eurocêntrico e inalcançável para a realidade nacional. De acordo com o levantamento, elas se submeteriam a todo tipo de intervenção estética para se sentir belas. 

Esses dados, segunda a autora, podem ser comprovados cotidianamente. Só em 2003, as brasileiras gastaram R$ 17 bilhões na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. O Brasil também apresenta o maior índice de mulheres que declaram ter feito cirurgia plástica. Outros estudos revelam ainda que a população feminina no Brasil, comparativamente, é a que mais se submete a sacrifícios pela “beleza”. Isso inclui dietas, malhação, remédios, cosméticos e toda a parafernália oferecida para alcançar o inalcançável."

Fonte do texto e da imagem: Grupo Summus

O mundo global visto do lado de cá





Este documentário "Encontro com Milton Santos - o mundo global visto do lado de cá", deveria ser obrigatório em todas as escolas. 

Se não sabe quem é Milton Santos, clique aqui.

sexta-feira, agosto 16, 2013

Trinta maneiras de ensinar noções de consentimento a crianças (parte I)

Encontrei uma série interessantíssima de 3 textos sobre como ensinar noções de consentimento a crianças. Este assunto é tão pouco abordado que não pensei duas vezes em compartilhá-lo. Se você tem filhos, irmãos, ou sobrinhos, e deseja que eles tenham a mínima noção de civilidade, lembre-se de que consentimento é a base de tudo o que envolve o respeito e o amor ao próximo. 

 
 Crianças de 1 a 5 anos


"1. Ensine a criança a pedir permissão antes de tocar ou abraçar um amigo. Use frases como "Sarah, vamos perguntar ao Joe se ele gostaria de um abraço de despedida." Se Joe disser "não" para o pedido, alegremente diga ao seu filho, "Tudo bem, Sarah! Vamos acenar um tchauzinho para Joe e jogar um beijo."

2. Ajude seu filho a criar empatia explicando como algo que eles fizeram pode ter machucado alguém. Use frases como "Eu sei que você queria aquele brinquedo, mas quando você bateu no Mikey o machucou e o fez se sentir muito triste. E nós não queremos que Mikey fique triste."

3. Ensine as crianças a ajudar os outros quando estão com problemas. Fale com elas sobre ajudar outras crianças e a avisar adultos confiáveis quando outros precisam de ajuda. Use o animal da família como exemplo: "Oh, parece que o rabo do gatinho está preso! Precisamos ajudá-lo!"

4. Ensine seus filhos que "não" e "pare" são palavras importantes e devem ser honradas. Também ensine-os que seus "não"s devem ser honrados. Explique que assim como devemos sempre parar de fazer algo quando alguém diz "não", nossos amigos também devem parar quando dizemos "não".

5. Encoraje a criança a ler expressões faciais e outros sinais corporais: assustado, feliz, triste, frustrado, com raiva e etc. Jogos de charada com expressões são um ótimo jeito de ensinar as crianças a ler linguagem corporal.

6. Nunca force a criança a abraçar, tocar ou beijar qualquer um, por nenhuma razão. Se a vovó está pedindo um beijo e seu filho está resistente, sugira alternativas dizendo coisas como "Você prefere dar um 'high-five' na vovó? Ou jogar-lhe um beijo, talvez?" Você pode mais tarde explicar para a vovó o que está fazendo e porque. 

7. Sirva de exemplo, pedindo permissão ao seu filho para ajudá-lo a lavar seu corpo. Encare com otimismo e sempre honre o desejo do seu filho de não ser tocado. "Posso lavar suas costas agora? E seus pés? Que tal seu bumbum?" Se a criança disser "não", então dê a ela a esponja e diga "Ok! Seu bumbum precisa de uma esfregada, faça isso".

8. Dê às crianças a oportunidade de dizer sim ou não em escolhas do dia-a-dia também. Deixe-as escolher suas roupas e ter opinião sobre o que usar, aonde brincar ou como pentear o cabelo. 

9. Permita a criança a falar sobre seus corpos do jeito que quiserem, sem vergonhas. Ensine-os as palavras corretas para as genitálias e se faça de lugar-seguro para eles falarem sobre corpos e sexo. Diga "Estou tão feliz que você me perguntou isso!". Se você não sabe como responder às suas perguntas do jeito certo, então apenas diga "Estou tão feliz que você está me perguntando sobre isso, mas eu terei que pesquisar. Podemos falar sobre isso depois do jantar?" e tenha certeza de cumprir sua palavra. 

10. Fale sobre instintos. Às vezes algumas coisas nos fazem sentir estranho, ou assustado, ou com nojo e nós não sabemos o porquê. Pergunte ao seu filho se isso já aconteceu com eles e ouça atentamente enquanto explicam.

11. "Use suas palavras". Não responda à birras. Peça ao seu filho para usar palavras, até as mais simples palavras, para explicar-lhe o que está acontecendo."

Fonte: Ácido, ergo sum